Saturday, February 03, 2007

Quem dera...





Quem dera viver fosse sempre um "fim de tarde"...


:***

Saturday, January 20, 2007

Pensar é transgredir




Pensar é Transgredir

Lya Luft

Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.

Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.

Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.

Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: "Parar pra pensar, nem pensar!"

O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação.

Sem ter programado, a gente pára pra pensar.

Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.

Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.

Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.

Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.

Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.

Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.

Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.

Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.

Parece fácil: "escrever a respeito das coisas é fácil", já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.

Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.

Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.

Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.

E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.


LUFT, Lya. Pensar é Transgredir, Ed Record, São Paulo.


Beijos a todos!!!!

Henfil




A VIDA
(Henfil)

"Por muito tempo eu pensei que a minha vida fosse se tornar uma vida de verdade.
Mas sempre havia um obstáculo no caminho, algo a ser ultrapassado antes de começar a viver, um trabalho não terminado, uma conta a ser paga.
Aí sim, a vida de verdade começaria.
Por fim, cheguei a conclusão de que esses obstáculos eram a minha vida de verdade.
Essa perspectiva tem me ajudado a ver que não existe um caminho para a felicidade.
A felicidade é o caminho!
Assim, aproveite todos os momentos que você tem.
E aproveite-os mais se você tem alguém especial para compartilhar, especial o suficiente para passar seu tempo; e lembre-se que o tempo não espera ninguém.
Portanto, pare de esperar até que você termine a faculdade;
Até que você volte para a faculdade;
até que você perca 5 quilos;
até que você ganhe 5 quilos;
até que você tenha tido filhos;

até que seus filhos tenham saído de casa;
até que você se case;
até que você se divorcie;
até sexta à noite;

até segunda de manhã;
até que você tenha comprado um carro ou uma casa nova;
até que seu carro ou sua casa tenham sido pagos;
até o próximo verão,

outono, inverno;
até que você esteja aposentado;
até que a sua música toque;

até que você tenha terminado seu drink;
até que você esteja sóbrio de novo;
até que você morra;
E decida que não há hora melhor para ser feliz do que AGORA MESMO...
Lembre-se:


"Felicidade é uma viagem, não um destino".

Sunday, January 07, 2007

Relax...

macacão

ZOO RIO



Feliz Olhar Novo
Carlos Drumond de Andrade




"O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história.
O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o AQUI e o AGORA.
Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais... mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia?
Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho? Quero viver bem. Esse ano foi um ano cheio.
Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões.
Normal.
Às vezes se espera demais das pessoas.
Normal.
A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que acabou.
Normal.
O novo ano não vai ser diferente.
Muda o século, o milênio muda, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?
O que eu desejo para todos nós é sabedoria!
E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência!
Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim...
Entender o amigo que não merece nossa melhor parte. Se ele decepcionou, passe-o para a categoria 3, a dos amigos. Ou mude de classe, transforme-o em colega. Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém.
O nosso desejo não se realizou? Beleza, não tava na hora, não deveria ser a melhor coisa prá esse momento (me lembro sempre de um lance que eu adoro:
CUIDADO COM SEUS DESEJOS, ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE).
Chorar de dor, de solidão, de tristeza, faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso. Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam diferentes.
Desejo para todo mundo esse olhar especial.
O novo ano pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro.
2007 pode ser o bicho, o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular...
ou... Pode ser puro orgulho!
Depende de mim, de você!
Pode ser. E que seja!!!
Feliz olhar novo!!!"

Monday, January 01, 2007

" Um dia de José Clemente Divario"

Esta postagem, entitulada " Um dia de José Clemente Divario",
conta um dia de um ex-executivo carioca em três blogs. No blog do Fred Neuman : http://www.fredneumann.blogspot.com/, foi contado o dia das 7:00 às 15:00.
Depois, contado o período das 15:00 às 23:00 no blog da Ghiza Rocha http://ghizarocha.blogspot.com/, e aqui, eu finalizo a história do Zé Clemente , que compreende o período de 23:00 até as 7:00.

A praia de "Rubamvava" , a cidade de "Belehousen" e os personagens criados são todos frutos da imaginação dos autores. Qualquer coincidência com a realidade terá sido meramente casual.

VAMOS LÁ!!!:


2300 horas: Zé e Lucio resolveram acender uma fogueira na praia e já altos por tantos cálices de vinho tomados, prestavam cada vez mais atenção um no outro....Lucio, preocupado com aquele sujeito, que mesmo fazendo parte daquele cenário, trazia em si o jeito galante, educado e firme dos homens de negócios da cidade grande.
Zé Divario, por sua vez, espantava-se com a “doce rudeza” daquele homem que, mesmo curtido do mar, era gentil, sábio, e fazia Rita Hubinger, a alemã sessentona e culta , de bom humor inabalável, uma mulher realmente feliz, sentimento que fazia brilhar ainda mais seus lindos olhos azuis...

Meia-noite: A brisa do mar cada vez mais forte e de repente Rita , segurando seu cálice de bom vinho alemão, aproxima-se dos dois, e se aconchega em um amontoado de redes convidativas para um bom relax depois de um jantar agradável, mas que deixara um forte clima de ciúmes no ar...
Entretanto, logo os três estavam tão inebriados que adormeceram.
Então...uma viagem...uma explosão no subsconsciente de cada um, os fez percorrer os mais profundos desejos de suas almas, por caminhos difíceis de imaginar....

1 hora: Rita, impressionada com os encantos de Zé Divario, repensou sua vida com Lucio e corajosamente decidiu se entregar à paixão fulminante por Zé , levando-o para sua terra natal a Alemanha.
Imediatamente, após a decisão, estavam os dois desembarcando em "Belehousen", onde rumaram às montanhas mais altas e geladas daquela cidade para, ao sabor dos vinhos e do calor das lareiras, consumarem a loucura daquela nova paixão...

Entretanto, passados alguns dias, começaram a se surpreender com um misterioso vizinho ,carrancudo , de poucas palavras, que tinha uma Chinchila de estimação, vinda do Chile...
Era tanto frio e ausência total do convívio humano que tentaram descobrir mais um pouco sobre aquele estranho de hábitos muito esquisitos...
Primeiro descobriram pelo caseiro do homem, Sr. Heiss, que o sujeito enigmático chama-se MR. RELTIH, que vivia naquela área há muitos anos, e nunca ia à cidade ou falava com estranhos....

MR. RELTIH acordava todo dia às 4 hs da madrugada e alimentava AGLO , sua Chinchila, da qual quase nunca se afastava...
Mais tarde, o estranho Sr. hasteava a bandeira alemã e cantarolava o hino sozinho, bem baixinho, como que fizesse uma oração contida e emocionada.
Logo depois caminhava lentamente, como a repensar uma vida inteira e ficava horas e horas sentado em sua varanda fumando seu velho cachimbo e olhando um lindo, porém surrado retrato de mulher.....

Na primavera e no verão, MR. RELTIH, entregava-se a sua verdadeira paixão, a fotografia...e saía sem hora pra voltar, fotografando os vales floridos de "Belehousen"....
Separava-se de sua velha câmera HASSELBLAD, apenas quando não havia mais luz para fotografar , retornando a sua reservada mansão...

Entretanto, durante os meses gelados, logo após o ritual da bandeira, MR. RELTIH rumava a uma velha casinha nos fundos de sua aconchegante mansão nas montanhas, onde preparava cestas e mais cestas de fibras vegetais, enchendo-as de comida , cobertores e outros artigos para enviá-las aos orfanatos, hospitais e lares de idosos de grande parte da Alemanha, levados por Mr. Heiss....

2 horas: Zé Divario e Rita aos poucos aproximaram-se do taciturno Sr. e com ele fizeram o primeiro contato, unindo-se à tão bela causa, já que o artesanato fazia parte do apaixonado mundo dos novos amantes...
E foi assim travada uma bela amizade entre aqueles três e Mr. Heiss, na gelada Alemanha, onde viveram por bons e apaixonados tempos até que...

3 horas : Enquanto isso, Lucio, desesperado com o súbito término da relação com Rita , compra uma moto e sai pelo Brasilzão de “meu Deus” e conhece , Marla Cerez, dançarina do Grupo de Axé “ Viradas pra lua” , que dança e rebola como ninguém....Lucio enlouquece com a frenética dançarina e logo faz com que a moça largue tudo e suba em sua garupa para continuar viagem...
Marla, até que e esforçou , mas acostumada ao frenesi da vida noturna e aos shows diários, não agüentou aquela vida de “bunda quadrada”, por motivos óbvios...
E Lucio ia vivendo ...vivendo... e mesmo longe de seu mundinho pacato de pescador, pôde conhecer e experimentar as loucuras do mundo em todos os sentidos até.....

4 horas: De repente , uma onda “explode” na praia e todos acordam.
Como voltanto de um longo transe nenhum deles sabia bem onde estava e o que tinha acontecido...
Para alívio geral estavam todos na pacata e linda praia de "RUBAMVAVA" ... fogueira já apaguada, todos ainda meio inebriados pelo porre da noite anterior, esperando o sol nascer contaram cada um as experiências em sonho vividas:

5 horas: Rita, rindo, com seu especial bom humor e sabedoria, mesmo envergonhada, confessou a Lucio e pro Zé que num ato impensado apaixonou-se por Divario e imediatamente embarcaram para Alemanha , onde viveram uma grande paixão , e onde passaram alguns anos ,voltando para o Brasil porque ela não conseguiu ficar longe daquele homem de hábitos tão gentis, reconhecendo nele o grande e verdadeiro amor de sua vida , confessando também que morria de saudades deste clima tropical que a havia curado uma bronquite crônica que lhe tirara o sossego durante anos , mas não o bom humor, e que a Alemanha era péssima pra sua saúde!
Todos riram muito!

6 horas: Lucio, não sabia se ria ou chorava de emoção, visto a honestidade que ali imperava, mas, mesmo timidão, resolveu contar seu envolvimento com Marla Cerez, que no meio do caminho da aventura de moto, acabou trocando ele por um caminhoneiro de nome Rubão, que "jurara" à bem dotada moçoila, que seria dançarina única de um grupo que ele montaria só pra ela e depois lhe conseguiria através de uns amigos influentes, uma vaga de apresentadora de TV!!!!!!
Já satisfeito por tantas andanças , mas não refeito de seu desenlace com Rita ele resolvera voltar também para a pacata "RUBAMVAVA" e começar de novo!!!
Mais gargalhadas quebraram o silêncio da praia naquela linda manhã!!!!


6:30 horas : Zé Divario, por sua vez, confessa que, para surpresa de todos, também em seu sonho, fugiu com Rita para as montanhas geladas de "Belehousen" onde conheceram MR. RELTIH, de hábitos muito estranhos, mas um cidadão do bem , que mesmo taciturno e ensimesmado, vivia fazendo cestos para doações e que um dia, por acaso, viu a inscrição surrada do que parecia a suástica em um velho uniforme todo retalhado que MR. RELTIH guardava em seu sótão, no mais fundo de seus baús...
Seu nome ,MR. RELTIH , estava então desvendado..

Isso mesmo, RELTIH , de trás para a frente , significa HITLER, que NÃO HAVIA MORRIDO, e havia se regenerado, e por arrependimento por seus atos cruéis e devoção ao seu grande amor por OLGA, tentava agora viver fazendo caridade e esquecer das assombrosas lembranças de sua vida ...
Olhava, como que num ritual silencioso de devoção e respeito, aquele retrato da bela mulher a quem amara silenciosamente e matara no passado, por não poder mudar o rumo de suas inomináveis convicções.
AGLO, sua Chinchila (que significa OLGA ao contrário) aliviava seus intermináveis dias de solidão , culpa e arrependimento por tanta tragédia e dor, não apenas causadas ao mundo, mas a ele mesmo, e isto ele já havia reconhecido...

Então , se esconder do mundo e de alguma forma fazer algum bem à humanidade foi a maneira que encontrou de aliviar o sofrimento de sua alma fazendo todo tipo de caridade a seu alcance, sem aparecer, através do fiel Mr. Heiss...
E foi o próprio MR. RELTIH, que numa das muitas conversas com Zé Divario , que, aliás, vivia queixando-se da horrível tosse crônica de Rita, o alertou:

-“Homem esta mulherr RRita ainda ama o marrido dela no Brrazil”, voltem..deixe-a seguirr seu caminho com ele! O AMORR É A MELHORR E A COISA MAIS BONITA DO MUNDO...!”
E foi assim que os dois retornaram....

7 horas: Completamente surpresos com a história de cada um, só poderiam agradecer aos Deuses por estarem ali de volta, e, de alguma forma, de volta a eles mesmos, querendo continuar com a vida que tinham escolhido: Lucio e Rita Hubinger; Zé e seu tranquilo mundo longe da cidade, e que 2 meses depois ficaria ainda mais colorido com a chegada de Michele Bindigent, 30 anos, linda sobrinha alemã de Rita...

O Sol nascendo, forte e brilhante, selava aquela nova e grande amizade que duraria até o fim de suas vidas na pacata e linda praia de "RUBAMVAVA" .
Mais um dia pela frente e nada melhor do que uma xícara de café para começar e brindar a vida, mais uma vez, porque é isso o que importa pra eles, Rita, Lúcio e Zé Divario, seja em sonho ou realidade, brindá-la sempre, viver, viver e viver e tentar ser feliz!


E "Rita" seria para sempre o nome inscrito no coração e no barco de Lucio...

FELIZ 2007!



O discurso final do filme
"O Grande Ditador"


"Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio nos aproximou. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem, um apelo à fraternidade universal, a união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora. Milhões de desesperados: homens, mulheres, criancinhas, vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que podem me ouvir eu digo: não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia, da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais, que vos desprezam, que vos escravizam, que arregimentam vossas vidas, que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos. Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão. Não sois máquina. Homens é que sois. E com o amor da humanidade em vossas almas. Não odieis. Só odeiam os que não se fazem amar, os que não se fazem amar e os inumanos.
Soldados! Não batalheis pela escravidão. Lutai pela liberdade. No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou grupo de homens, mas de todos os homens. Está em vós. Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas; o poder de criar felicidade. Vós o povo tendes o poder de tornar esta vida livre e bela, de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo, um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam. Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão. Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e a prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.
Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos. Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam. Estamos saindo da treva para a luz. Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah. A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah. Ergue os olhos."



CHARLES CHAPLIN


PAZ...


* * * * *

Na minha foto: Queima de fogos na Praia de Icaraí em Niterói - RJ.

Friday, December 29, 2006

Vida



Foto by: Mônica Santos


"A VIDA

A vida são deveres que nós trouxemos pra fazer em casa.
Quando se vê já são seis horas;
Quando se vê, já é sexta-feira;
Quando se vê, já terminou o ano;
Quando se vê, passaram-se 50 anos!
E agora, é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada
inútil das horas.
Dessa forma eu digo, não deixe de fazer algo que gosta
devido a falta de tempo, a única falta que terá, será desse tempo
que infelizmente não voltará mais!"

Mário Quintana

Saturday, December 23, 2006

No Vale ficamos mais amigos ainda....

Na foto, Thiago (24) e Luciano (08) , amigos, ambos fotógrafos da Sociedade Fluminense de Fotografia - SFF, na travessia de balsa do Rio Jequitinhonha.

* * *


Que 2007 seja para toda a humanidade um ano repleto de amigos como os meus:imprescindíveis, básicos, presentes, disponíveis, pacientes, bonitos, lutadores, sensíveis, criativos, trabalhadores, aventureiros, emotivos, solidários, valentes e muito, muito queridos!!!!

Um abraço bem apertado em cada um de vocês!!!!
Obrigada pelo carinho de cada palavra deixada neste cantinho!!!!
Um beijo bem grande!



FELIZ NATAL!!!
Mônica.

Sunday, December 17, 2006

A arte do Vale


















Na obra do Vale encontrei "alimento" para a vida toda......




fotos: Mônica Santos